1. “Pipoca e Guaraná” – Guaraná Antarctica
Contexto histórico
No começo dos anos 1990, a disputa entre refrigerantes estava forte, e o Guaraná Antarctica queria se afirmar como “o” refrigerante do brasileiro, especialmente em momentos de lazer em família. Em 1991, surge o jingle “Pipoca e Guaraná”, que ligava diretamente o consumo da bebida ao ritual de ver TV e filmes em casa.
Como era a campanha
O comercial mostrava pessoas assistindo TV, comendo pipoca e tomando guaraná, enquanto o jingle repetia a combinação “pipoca e guaraná, Guaraná Antarctica”, deixando claro: pipoca sem guaraná fica “faltando alguma coisa”. A música era simples, melódica e fácil de decorar.
Exemplos de uso e releituras
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Foi um dos grandes símbolos da marca nos anos 1990, reforçando o consumo em casa, e não só em bares e festas.
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Em 2020, a marca relançou o jingle em versão repaginada para incentivar “maratonas em casa” durante a pandemia.
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Em 2025, a campanha voltou novamente em parceria com a Netflix e personagens como Wandinha, apostando na nostalgia e na conexão com o streaming.
Impacto e legado
O jingle não só vendeu refrigerante: ele criou um hábito cultural. Até hoje, muita gente associa automaticamente “pipoca” a “guaraná”, o que é um sonho para qualquer marca.
2. “A gente se vê por aqui” – Rede Globo
Contexto histórico
A Rede Globo sempre usou slogans e vinhetas musicais para reforçar sua identidade. No início dos anos 2000, surge o slogan “Globo. A gente se vê por aqui”, acompanhado de uma assinatura musical que virou praticamente um jingle institucional da emissora.
Como era a campanha
O foco não era vender um produto, mas vender a própria emissora como espelho do Brasil: diversidade, cotidiano, novelas, jornalismo, esportes. A música aparecia em vinhetas, chamadas de programação e peças institucionais.
Exemplos de uso
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Vinhetas com cenas do dia a dia brasileiro (praias, cidades, festas populares) com a assinatura “A gente se vê por aqui”.
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Uso recorrente em chamadas de programação e em campanhas que reforçavam a Globo como “janela do Brasil para o mundo”.
Impacto e legado
O slogan/jingle ajudou a consolidar a ideia de que a Globo não é só um canal: é um lugar onde o brasileiro “se vê” representado. Mais tarde, a emissora mudou a assinatura para “A gente se liga em você”, mas o “A gente se vê por aqui” continua na memória coletiva.
3. “Mamíferos” – Parmalat
Contexto histórico
Em 1996, a Parmalat enfrentava um mercado de leite e derivados bastante competitivo. A agência DM9DDB criou a campanha dos “Mamíferos”, com crianças vestidas de bichinhos de pelúcia e um jingle que listava os mamíferos de forma divertida.
Como era a campanha
As crianças, fantasiadas de leão, vaca, elefante, rinoceronte, gato, cachorro etc., cantavam o jingle que falava de carinho, família e leite. A música era doce, com uma voz masculina marcante narrando e cantando os nomes dos animais.
Exemplos de uso e releituras
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A campanha original durou cerca de três anos, se tornando onipresente na TV brasileira na segunda metade dos anos 1990.
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A marca resgatou o conceito dos mamíferos em campanhas posteriores, explorando a memória afetiva de quem era criança na época.
Impacto e legado
A campanha é frequentemente citada em estudos de publicidade como um case de branding emocional: o jingle ajudou a colocar a Parmalat no lugar de marca “fofa”, “de família”, associada a carinho e infância, e não apenas a um produto comoditizado.
4. “Me dá, me dá, me dá, me dá Danoninho, Danoninho já” – Danoninho (Danone)
Contexto histórico
Depois do sucesso (e da polêmica) do slogan “Danoninho vale por um bifinho” nos anos 1970, a marca entra nos anos 1980 buscando renovar o discurso sem abandonar totalmente a ideia de alimento “forte” para crianças. É nessa fase que surge, em 1988/1989, o jingle que marcaria uma geração:
“Me dá, me dá, me dá, me dá Danoninho, Danoninho já.”
O jingle usa como base a melodia da valsa “O Bife”, muito conhecida na educação musical infantil, e ganha letra nova falando de pedir Danoninho, brincar e crescer com saúde.
Como era a campanha
A campanha era totalmente centrada no universo infantil:
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Crianças cantando em coro “me dá, me dá, me dá, me dá Danoninho, Danoninho já” enquanto aparecem em situações de brincadeira, escola e momentos em família.
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A letra ia além do pedido insistente e trazia versos sobre cálcio, vitaminas, proteínas, sempre em tom leve e lúdico, reforçando a ideia de que o produto ajudava no crescimento:
“Me dá Danoninho, Danoninho dá / cálcio e vitamina pra gente brincar…”
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A melodia simples, repetitiva e baseada em uma música já conhecida pelas crianças fazia o jingle grudar na cabeça de pais e filhos.
Exemplos de uso e desdobramentos
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O filme com o jingle foi exibido massivamente no fim dos anos 1980 e início dos 1990, em horários infantis e programas de família, o que ajudou a transformar “me dá Danoninho” em frase quase automática de criança no supermercado
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Matérias sobre a história da marca destacam esse jingle como uma das campanhas mais emblemáticas do Danoninho, ao lado do “vale por um bifinho”.
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Até hoje, o jingle é lembrado em listas de jingles marcantes da publicidade brasileira e em posts nostálgicos nas redes sociais.
Impacto e legado
O “Me dá, me dá, me dá” consolidou de vez Danoninho como sinônimo de sobremesa infantil no imaginário brasileiro:
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A combinação de crianças cantando + pedido insistente + benefício nutricional criou uma fórmula perfeita para falar ao mesmo tempo com o desejo dos filhos e com a preocupação dos pais.
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O jingle virou referência em cursos e textos de publicidade como exemplo de uso inteligente de melodia conhecida para reforçar mensagem de marca.
No fim das contas, mesmo com todas as mudanças de embalagem, fórmula e posicionamento ao longo das décadas, basta alguém cantar “me dá, me dá, me dá…” para muita gente completar automaticamente: “me dá Danoninho, Danoninho já.”
5. “O tempo passa, o tempo voa…” – Poupança Bamerindus
Contexto histórico
Nos anos 1990, o banco Bamerindus queria fortalecer a imagem de sua caderneta de poupança. Foi criada uma campanha que rapidamente se tornou um clássico, com o jingle:
“O tempo passa, o tempo voa,
e a Poupança Bamerindus continua numa boa…”Como era a campanha
Os comerciais traziam personagens em situações cotidianas – famílias, crianças, clientes satisfeitos – enquanto o jingle reforçava a ideia de estabilidade: não importa o que aconteça, a poupança estaria “numa boa”.
Exemplos de uso
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Comerciais exibidos intensamente em programas de grande audiência, como o Domingão do Faustão.
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Versões com crianças (“Os Três do Rio”) em trajes mexicanos, reforçando o refrão do jingle.
Impacto e legado
Mesmo depois da crise e liquidação do Bamerindus, o jingle continuou sendo lembrado por décadas. Em muitas cidades, ele é lembrado em reportagens e posts nostálgicos como símbolo da publicidade dos anos 1990 no Brasil.Wikipédia+2propagandashistoricas.com.br+2
6. “Dois hambúrgueres, alface, queijo…” – Big Mac (McDonald’s)
Contexto histórico
O Big Mac, criado em 1967, virou um ícone global do McDonald’s. Parte desse sucesso se deve a campanhas que listavam os ingredientes do sanduíche em forma de jingle, o que também chegou ao Brasil.
O jingle clássico dizia algo como:
“Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim.”
Como era a campanha
A ideia era simples e genial: fazer o público decorar a receita exata do Big Mac cantando. As campanhas transformavam o jingle em desafio – quem conseguia falar tudo rápido e sem errar?
Exemplos de uso e releituras
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Campanhas nos anos 1980 e 1990 que incentivavam o público a recitar a sequência de ingredientes, muitas vezes valendo prêmios.
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Em 2024, o McDonald’s retomou o jingle em uma campanha no Brasil, com artistas como Liniker, Ana Maria Braga, João Gomes e Xamã cantando os versos, para lançar novas versões do Big Mac (Bacon e Duplo).
Impacto e legado
O jingle é citado em textos de marketing como exemplo de estratégia perfeita de memorização de produto: você não lembra só da marca, mas dos ingredientes, da ordem e, muitas vezes, até da melodia.
7. “Ortopé, Ortopé, tão bonitinho” – Ortopé
Contexto histórico
A Ortopé é uma marca de calçados infantis surgida nos anos 1960, em Gramado (RS), e virou líder nacional no segmento infantil nos anos 1980. Além do conforto e da proposta “ortopédica”, o que realmente grudou na cabeça das pessoas foi o jingle criado pelo compositor Renato Teixeira:
“Ortopé, Ortopé, tão bonitinho”
Esse jingle marcou a infância de quem cresceu nas décadas de 1970, 1980 e início dos 1990, e é lembrado até hoje sempre que alguém fala da marca.
Como era o jingle e a campanha
O jingle tinha tudo o que uma boa publicidade infantil precisa:
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Melodia simples e fácil de cantar.
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Repetição do nome da marca (“Ortopé, Ortopé…”) pra fixar de vez.
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Um “comentário” carinhoso no final (“tão bonitinho”), que reforçava tanto o visual dos sapatos quanto o universo fofo das crianças.
Os comerciais mostravam:
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Crianças correndo, brincando, indo pra escola, sempre com os sapatos Ortopé nos pés.
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Uma ambientação colorida, leve, com foco em movimento e conforto.
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O jingle entrando como trilha principal ou como fechamento, colando a imagem do produto à música.
Na prática, o jingle fazia um “pacote completo”: nome da marca + benefício emocional (ser “bonitinho”, fofinho, desejado pela criança) + reforço de presença na rotina (escola, passeio, brincadeira).
Exemplos marcantes e releituras
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Anos 70–80: auge da marca e do jingle
Nesse período, Ortopé domina o mercado de calçados infantis no Brasil. Os filmes de TV com o jingle passam em horários de família (novelas, programas de auditório), falando tanto com crianças quanto com pais. “Ortopé, Ortopé, tão bonitinho” vira praticamente sinônimo de “sapato de criança boa marca”. -
Anos 2000: crise e resgate da memória afetiva
A marca enfrenta dificuldades financeiras e chega a falir nos anos 2000, sendo depois comprada pelo Grupo Paquetá, que decide reposicionar a Ortopé e recolocá-la nas prateleiras. Nessa retomada, a memória do jingle — e do “tão bonitinho” — volta a ser um ativo estratégico: a marca se comunica com as novas crianças, mas falando direto com os pais que cresceram ouvindo o jingle.
Impacto e legado
O caso Ortopé é um exemplo clássico de como um jingle bem feito:
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Constrói marca além do produto – muita gente lembra primeiro da música e da sensação de infância, e só depois do sapato em si.
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Gera memória geracional – pais que foram crianças nos anos 80/90 reconhecem o jingle e o repassam, mesmo que a campanha não esteja mais no ar com a mesma força.
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Vira atalho emocional em reposicionamento – na retomada da marca, usar (ou fazer referência ao) “Ortopé, tão bonitinho” é um jeito rápido de recuperar confiança e simpatia.
Fechando a conversa
Percebe o padrão?
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Todos esses jingles são simples, repetitivos e colados no cotidiano.
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Cada um deles, à sua maneira, conta uma história: família, confiança, infância, diversão, ritual de consumo.
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Mais do que vender um produto, eles criam memórias.
