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OVNIs à brasileira: 8 casos que alimentam o mistério nos céus do país

Redação CPlay/
29/11/2025, 11h25
/
8 min
imagem: montagem @cplay
imagem: montagem @cplay

Quando o assunto é OVNI, o Brasil tem currículo. Dos primeiros registros fotográficos nos anos 1950 até relatos recentes de pilotos comerciais e documentos liberados pelo Arquivo Nacional, o país acumula histórias que misturam medo, fascínio e muito ponto de interrogação.

Reunimos aqui 8 casos emblemáticos de OVNIs no Brasil. Em todos eles, vale lembrar: estamos falando de relatos de fenômenos aéreos não identificados, não de provas definitivas de visitantes de outro planeta.

1. Barra da Tijuca (RJ, 1952) – as primeiras fotos “oficiais”

Fotos de 1952 que dois jornalistas brasileiros disseram ter tirado de um objeto voador não-identificado. Crédito: Ed Keffel/O Cruzeiro/Arquivo Nacional do Brasil

Um dos primeiros registros de grande repercussão ocorreu em 1952, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O fotógrafo Ed Keffel, da revista O Cruzeiro, publicou uma sequência de cinco fotos mostrando um suposto disco voador sobre o mar.

As imagens correram o mundo e foram analisadas por militares e ufólogos. Anos depois, céticos passaram a apontar inconsistências de luz e perspectiva, sugerindo montagem. Mesmo assim, o “Caso Barra da Tijuca” segue citado em livros e até em materiais do Arquivo Nacional como o primeiro grande registro fotográfico de OVNI no Brasil.

2. Ilha da Trindade (ES, 1958) – o disco fotografado pela Marinha

Fotografia de Almiro Baraúna mostrando um aparente "disco voador" nos céus da Ilha da Trindade, datada de 16 de janeiro de 1958
Fotografia de Almiro Baraúna mostrando um aparente "disco voador" nos céus da Ilha da Trindade, datada de 16 de janeiro de 1958

Em 1958, o navio-escola Almirante Saldanha, da Marinha, estava ancorado próximo à Ilha da Trindade quando o fotógrafo Almiro Baraúna disse ter registrado um objeto discoide sobrevoando o pico da ilha. Quatro fotos foram divulgadas e o caso ganhou status de “prova irrefutável” entre ufólogos por décadas.

Depois, depoimentos de familiares e investigações jornalísticas levantaram a hipótese de fraude – inclusive a versão de que o autor teria confessado ter montado as imagens em laboratório, usando objetos domésticos como modelo. Ainda assim, o Caso Trindade continua como um dos episódios mais famosos da ufologia nacional, citado em relatórios estrangeiros e em publicações especializadas.

3. Operação Prato (Pará, 1977–1978) – quando a Força Aérea virou “caçadora” de luzes

imagem: Edison Boaventura Junior

Na segunda metade dos anos 1970, moradores de Colares e outras localidades do nordeste do Pará começaram a relatar luzes estranhas no céu, que teriam inclusive causado ferimentos em algumas pessoas, episódio que ficou popularmente conhecido como “chupa-chupa”.

A situação chegou a tal ponto que a Força Aérea Brasileira (FAB) criou uma missão oficial para investigar os fenômenos, batizada de Operação Prato. Oficiais foram enviados à região, colheram depoimentos, fizeram vigílias e produziram relatórios com dezenas de observações e fotos. Anos depois, parte desse material foi liberada ao público, confirmando que a FAB realmente tratou o assunto com seriedade – embora nunca tenha apontado uma explicação clara para as luzes registradas.

4. Caso Barroso, em Quixadá (CE, 1976) – a suposta abdução no sertão

O município de Quixadá, no Sertão Central do Ceará, virou ponto tradicional de “astroturismo” e ufologia. Um dos motivos é o chamado Caso Barroso, envolvendo o agricultor Luís Fernandes Barroso, que teria relatado um encontro muito próximo com seres de outro mundo em 1976.

Segundo familiares, após o episódio ele passou a apresentar problemas de saúde e alterações físicas, o que foi associado, por ufólogos, a efeitos do suposto contato. O caso inspirou livros, documentários e até o filme Área Q. Do ponto de vista científico, nunca houve comprovação de origem extraterrestre – mas a história consolidou Quixadá como uma das “capitais ufológicas” do país.

5. Noite Oficial dos OVNIs (SP–RJ–MG–GO, 1986) – 21 objetos nos radares

Manchete de jornal sobre o evento / Crédito: Reprodução

Em 19 de maio de 1986, radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) detectaram diversos alvos luminosos se movendo de forma incomum sobre partes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Pilotos civis também relataram luzes estranhas.

A FAB colocou caças em voo para interceptar os objetos, mas, segundo relatos oficiais, eles aceleravam ou desapareciam antes de qualquer aproximação. O episódio ficou conhecido como “Noite Oficial dos OVNIs” e entrou para a história como um dos casos mais bem documentados – com registros de radar, áudios e relatórios hoje disponíveis no Arquivo Nacional. Até hoje, o documento oficial resume a conclusão em uma frase: “Fenômeno luminoso de origem desconhecida”.

6. Voo 169 da VASP (1982) – o disco que acompanhou um avião comercial

Comandante Gerson Maciel de Britto avisou aos 150 passageiros sobre a presença do ovni (Geraldo Guimarães/Estadão)

Quatro anos antes da “Noite Oficial”, outro caso envolvendo a aviação civil mexeu com a opinião pública: o Voo 169 da VASP, que ia de Fortaleza para o Rio de Janeiro, em 8 de fevereiro de 1982.

Durante a madrugada, o comandante e membros da tripulação relataram a presença de um objeto muito luminoso, que teria acompanhado a aeronave por um longo período. Passageiros também disseram ter visto a luz pela janela.

Investigações posteriores levantaram explicações alternativas, como a possibilidade de o brilho ser o planeta Vênus em posição favorável de observação ou reflexos de luz em nuvens. Mas o caso permanece, para muitos ufólogos, como um dos avistamentos com maior número de testemunhas em voo da história brasileira.

7. ET de Varginha (MG, 1996) – o caso que virou ícone pop

Por Paulo JC Nogueira, CC BY-SA 3.0

Em janeiro de 1996, a cidade de Varginha, em Minas Gerais, entrou para o imaginário coletivo mundial com relatos de uma suposta criatura de aparência “humanoide” vista por três jovens. Histórias paralelas falavam de queda de nave, captura de seres pelo Exército e até morte de um policial por infecção misteriosa após contato.

As Forças Armadas e autoridades sempre negaram a presença de extraterrestres e atribuíram parte dos relatos a interpretações equivocadas de uma pessoa com deficiência que circulava pela região. Na falta de provas materiais claras – fotos, vídeos ou registros laboratoriais verificáveis – o Incidente de Varginha permanece no campo dos depoimentos e da cultura pop: a cidade ganhou monumentos em forma de nave e se tornou destino de turismo temático.

8. Arquivo Nacional e os relatos recentes de pilotos (anos 2000–2020)

imagem: arquivo sian

Mais recentemente, a onda de OVNIs no Brasil ganhou um componente novo: a divulgação sistemática de documentos militares. O Arquivo Nacional mantém uma coleção de relatórios, fotos e ofícios sobre aparições registradas desde os anos 1950, produzidos por órgãos como o antigo SIOANI e o Comando da Aeronáutica.

Em 2024, por exemplo, vieram à tona dezenas de relatos de pilotos que, em 2023, informaram à Aeronáutica a presença de luzes e objetos anômalos em rotas no Sul do país, alguns descritos como “dez vezes mais rápidos que um avião comercial”. Outros casos recentes compõem uma espécie de “mapa contemporâneo” de avistamentos, do litoral catarinense ao interior do Rio Grande do Sul.

Esses registros não confirmam naves alienígenas – muitos podem ser drones, satélites, fenômenos atmosféricos ou simples confusões. Mas mostram que o Estado brasileiro segue recebendo, catalogando e liberando informações sobre fenômenos aéreos não explicados, o que aproxima o debate brasileiro das discussões internacionais sobre transparência em segurança aérea.

Por sua vez, os documentos do OVNI são acessíveis pelo link http://www.an.gov.br/sian/

Então… o que tudo isso prova?

No fim das contas, nenhum desses oito casos traz uma prova inequívoca de vida extraterrestre. O que eles evidenciam é outra coisa:

  • que fenômenos aéreos estranhos existem, pelo menos como registros instrumentais (radares, fotos, áudios) e relatos consistentes;

  • que autoridades brasileiras às vezes levaram o assunto bastante a sério, a ponto de produzir operações e dossiês específicos;

  • e que a fronteira entre ciência, medo, fé e imaginação continua bem borrada quando a gente olha para o céu.

Se você é cético, dá para ler tudo isso como um grande catálogo de enganos, fraudes e fenômenos naturais mal interpretados. Se é entusiasta, como pistas de que “não estamos sozinhos”. Em qualquer um dos casos, uma coisa é certa: história boa de OVNI é o que não falta no Brasil – e dificilmente vai faltar tão cedo.

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