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Outro dia...


 

 

Outro dia pensando sobre os “causos” que escuto e acolho de meus colegas/ amigos pausei em um que mexeu bastante comigo. E partilharei com vocês.

 

Uma amiga multifacetada diante tantos compromissos diários se viu angustiada por ter perdido seu celular. Muitas eram várias as obrigações durante o dia e esse era o seu meio de ser presente mesmo ausente com seus familiares. Depois de muito procurar em suas bolsas, carro e lugares por onde passou, resolveu ligar para sua mãe informando o ocorrido.

 

Ligada em alta voltagem como é essa grande amiga, ao falar com sua mãe sua agitação não deixou espaço para que ela também falasse, terminou a ligação pedindo a mãe para procurar em casa se o aparelho celular dela tinha ficado.

 

 “- Mãe, daqui a pouco retorno a ligação para saber se a senhora achou, beijos.”

 

Continuou suas obrigações com a anteninha ligada em sua perda.

 

Passaram os minutos combinados e minha amiga retornou à ligação para sua mãe.

 

“- Mãe, conseguiu achar meu celular? Tô precisando tanto dele, minhas obrigações todas estão no celular, só sei o seu número de cabeça, se precisar ligar pro esposo não consigo...." (chorou litros em reclamações sem deixar sua mãe responder o primeiro questionamento. Quando não mais conseguia falar precisou pausar para respirar e nessa pausa sua mãe então respondeu)

 

“- Querida, você está falando pelo seu celular. Tentei te falar isso quando ligou a primeira vez, mas você não deu tempo e desligou.”

 

Um filme passou pela cabeça dela, um mix de alegria e raiva, alguns segundos de silêncio e por fim o agradecimento. Minha querida amiga pediu desculpas a sua mãe e a agradeceu por coloca-la exatamente onde ela deveria estar.

 

Esse processo durou um dia inteiro.

 

Enquanto eu ria desse “causo” me ocupava do processo de higienização bucal (escovar dente no popular). De repente me vi brava por não encontrar minha escova. Localizei a pasta, o fio dental, mas não achava minha escova. Faço uma confissão por aqui – detesto perder algo ou não encontrar rapidamente algo que necessito, me tira do sério. Minha respiração mudou, uma angustia batia na porta quando então resolvi olhar para minhas mãos. E lá estava ela, minha tão querida e procurada escova de dente.

 

Ufa... um sorriso amarelo surgiu em meu rosto, como se eu tivesse reclamado publicamente e estivesse envergonhada pela minha atitude.

 

Dei continuidade em meu processo e meus pensamentos borbulhavam. Muitos questionamentos e algumas respostas.

 

Não sei qual foi a lição aprendida por minha amiga, mas a minha eu sei.

 

Tenho levado a rotina dos dias no piloto automático. Tantas obrigações, tantas necessidades, tantas urgências, tantos planejamentos que não tenho conseguido viver o presente em sua plenitude. Meu olhar foi longe procurando pelo meu item perdido, gastei energia e no final ele estava preso em mim. 

 

A escova de dente foi um exemplo bem pequeno, um puxão de orelha delicado do Criador.

 

O que tenho feito dos meus dias? Em que centralizo meu olhar? Estou por inteira em minhas obrigações ou o corpo está em uma atividade e a mente em outro? O mesmo vale para meus relacionamentos.

 

Fica aqui essa breve reflexão. Você tem procurado por coisas, pessoas, momentos, sentimentos, respostas sem perceber que elas estão a todo momento ao seu lado?

 

Photo by Caleb Woods on Unsplash

 

Hathyelle Keise de Sena Pernisa
Mulher, profissional, esposa, mãe e escritora no Blog Restabeleça (www.restabeleca.blogspot.com)

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