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Entre a saudade e a esperança

Entre a saudade e a esperança

O momento de isolamento social impõe inúmeras restrições em nome do bem maior que é a saúde coletiva. Este tempo que enfrentamos também exige que saibamos viver apenas com o necessário e com o essencial. 
Estamos impedidos de abraçar e sentir o cheiro daqueles que tanto amamos. Assim, ficamos expostos ao desconhecido, mas é a união da espiritualidade com o conhecimento científico que nos possibilitará enxergar uma luz no fim do túnel, acreditando num futuro melhor.
Ainda não temos a cura pra essa doença. A pandemia limita até mesmo a nossa capacidade de controle. Não estar no comando da situação nos coloca de frente à dependência de Deus. 

 “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.”
 (Hebreus 11,1) 

É exatamente no abismo entre a vida e a morte, que, em Cristo, habita a esperança de dias melhores.
Ao verbalizar aquilo que ele sempre foi, o Papa Francisco, logo após passar de Jorge Bergoglio para Francisco, pediu ao líderes religiosos que fossem “pastores com cheiro de ovelha.” Em tempos de transmissões ao vivo e isolamentos social nós, missionários, músicos, pregadores, padres e religiosos ficamos fisicamente distantes do povo. 
Na mesma homilia, em sua primeira celebração da Crisma como papa, em 2013, Francisco aconselhou os líderes a se colocarem a favor do povo:
“O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o cheiro das ovelhas, pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens.”
Os cristãos de todo o planeta passam por um momento de saudade da vida em comunidade. Sentimos falta da Eucaristia, das celebrações e de rezar de mãos dadas, na Igreja.
O papa Francisco compartilha dessa vontade de estar sempre perto do povo. Mas é através da fé que aprendemos a enxergar o coração e mais que isso, vivenciar a esperança alimentada pela certeza de vida eterna, no divino que habita em cada um de nós. 
É assim que conseguimos render gratidão pelas pequenas coisas, ao entendermos que a saudade e o fato de ainda existir a impossibilidade de vivenciarmos tantos momentos de espiritualidade em comunidade, temos a oportunidade de permanecer unidos em comunhão espiritual, é isso que gera em
todos  nós a esperança. 
Um coração grato é a cura para a saudade e, ainda que em meio a tanta dor abre as vias da esperança. Permanecer fiel à vida é o caminho para o eterno.

CPlay
Astromar Braga
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Professor/ especialista em desenvolvimento humano Missionário Palestrante Escritor

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