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Autoimagem

Autoimagem

" Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e segundo nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todos os animais selvagens e todos os animais que se movem pelo chão". (Gênesis 1,26)

A palavra “imagem” tem origem no termo grego “eidos”, que significa ideia. A palavra semelhança vem do Latim “Similis”, que significa “tal qual”. Depois de criar o céu e a terra, o dia e a noite, o firmamento, as águas, o solo, a vegetação, as estrelas, os animais de toda a espécie, e todas as coisas existentes, Deus teve a ideia de criar o ser humano, tal qual Ele é. Depois, viu que tudo era bom.

Deus criou você do jeito que você é, mas também criou você do jeito que Ele é. Nos criou, como diz no Salmo oito, menor do que um deus. Você não é Deus, porque não somos iguais a Ele, fomos criados à sua imagem e semelhança. Somos diferentes entre nós, com a nossa própria identidade e nossa própria individualidade, mas semelhantes a Deus. Isso é magnífico. Deus é perfeito. Deus é puro. Deus é totalidade. Deus é infinito.

Muitos dizem que “você é aquilo que você é”. Na verdade, você é aquele que você é. Você é a imagem e semelhança do Criador do Universo. A palavra “aquilo”, indica algo distante, sem muita definição de identidade. A palavra “aquele”, do latim “semol”, tem a conotação de proximidade, que significa estar próximo, junto. Portanto, você é aquele que é, e é através da sua individualidade como pessoa, que você dignifica, enobrece e engrandece a imagem Deus em você. Você foi uma ideia do Criador, para ser tal qual Ele é, e estar junto com Ele, desde antes da criação do mundo, e isso quer dizer que a sua idade cronológica é apenas figurativa. Tudo o que existe, esteve antes na mente e no coração de alguém, é o seu e o meu caso.

A sua autoimagem dita para você quais são as regras que você deve seguir na vida, porque ela está ligada aos seus paradigmas. São as suas crenças que dizem para você agir dessa e daquela forma, como, quando, e o que você deve falar, o que você deve vestir, como você deve se proteger, inclusive, aquilo que você deve comprar ou deixar de comprar.

A sua autoimagem tem a ver com seu sucesso, assim como tem a ver com o seu fracasso, porque está relacionada com a maneira que você se comunica, consigo mesmo e com os outros. Estamos sempre nos comunicando. De forma não verbal também. Aliás, as palavras são quase sempre a parte menos importante. Você se comunica através de um suspiro, mediante um sorriso, por meio de um olhar, em forma de pensamento, por atitudes ou movimentos corporais, não importa, todas são formas de comunicação.

A cientista e psicóloga social, Amy Cuddy, diz que a fala do corpo é muito importante, e que a sua linguagem corporal molda quem você é. Através da aplicação de uma certa postura, realizada por dois minutos, ela diz que isso pode mudar a sua autoimagem. Da maneira como você se expressa corporalmente você se posicionará na sua vida. A linguagem corporal é comunicação, e comunicação é interação. O que o seu corpo está falando agora, enquanto você lê esse livro, o que ele está dizendo de você para você? Fazemos julgamentos a partir da linguagem corporal, nossa e das outras pessoas. Avaliamos os outros a partir da sua expressão corpórea. Gostamos ou não de pessoas, sem mesmo falar com elas, pelo simples fato delas expressarem-se corporalmente.

Quando pensamos na comunicação não verbal, pensamos, julgamos e somos julgados. Nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossa fisiologia é influenciada por esse tipo de comunicação. Muitas pessoas vivem deprimidas, tristes, envergonhadas. Mas se quisermos ser mais entusiasmados, felizes, desinibidos, basta utilizar expressões corporais que demonstrem poder e dominação. O urso, por exemplo, se ergue para demonstrar poder e autoridade. O gorila se posiciona de forma ereta para demonstrar domínio, controle. O homem se abre quando vence uma competição, e com orgulho ergue os braços em sinal de vitória. Quando nos sentimos enfraquecidos fazemos exatamente o contrário, nos fechamos, nos dobramos, nos fazemos menores, nos humilhamos.

Algumas pessoas gostam de movimento, ocupam melhor os espaços, se esparramam pelo ambiente, enquanto que outras, estão como que virtualmente em colapso, com rostos tristes, corpos desorganizados e encolhidos. Todas as pessoas exibem características não verbais. A nossa comunicação não verbal também pensa, também sente, e também governa sobre os nossos sentimentos e sobre os pensamentos que temos sobre nós mesmos. Você sorri quando está feliz, não é assim? Mas às vezes fingimos que estamos felizes, porém, isso pode, com o tempo, nos proporcionar um certo poder de felicidade. E quando você finge ser poderoso, será que é possível que você de fato se sinta poderoso? Pessoas poderosas arriscam mais, e tendem a ser mais assertivas, mais otimistas, mais confiantes, e pensam de forma mais abstrata.

No que se refere à fisiologia, as pessoas que detém poder apresentam o testosterona, o hormônio do domínio, de forma mais abundante que o cortisol, que é o hormônio do estresse. Os machos alfa, na hierarquia primata, tem testosterona alto e cortisol baixo. Líderes políticos poderosos e efetivos, também tem testosterona alto e cortisol baixo. As pessoas que se posicionam de maneira dominante apresentam um aumento de 20% na taxa hormonal de testosterona, enquanto pessoas com baixo poder experimentam uma queda desse hormônio em 10%. Na relação com o cortisol, as pessoas com alto poder experimentam quase 25% de queda, enquanto, pessoas com baixo poder, um aumento de 15%. O que isso quer dizer? Quer dizer que quando você pensa em poder, você pensa tanto em dominar quanto em ser dominado. O poder, portanto, está relacionado de como você reage ao estresse. Assim como a mudança de atitude a postura do nosso corpo também pode moldar a nossa mente.

Fique de pé, agora. Permaneça, por dois minutos, em pé, com as pernas um pouco mais afastadas em relação à medida dos ombros, com a planta dos pés totalmente no chão, com o peso do corpo distribuído por igual nas duas pernas, com as mãos fechadas na cintura e com o queixo levemente erguido. Dois minutos. Como se sentiu? O estudo aponta que o fato de você ficar nessa posição pelo tempo mencionado vai fazer você se sentir mais forte e mais poderoso.

O que determina, então, a sua falta de poder? A sua posição corporal.

Perceba se durante o dia você fica mais tempo se dobrando, se encolhendo, ou se você tem uma postura mais aberta, livre. Dois minutos não é muito tempo, mas segundo a pesquisa, são suficientes para que essas mudanças hormonais se configurem no nosso cérebro, proporcionando maior assertividade, confiança, confortabilidade e controle ao estresse.

Foi realizada uma análise, por meio de uma entrevista de emprego, com feedback não verbal. As pessoas que posaram de forma aberta e demonstrando poder, eram logo desejadas para o contrato de trabalho, enquanto que as outras com um postura encolhida, de baixo poder não eram nem requisitadas para a próxima fase. Ou seja, não é o conteúdo da fala que é o mais importante, mas a presença que se traz para a fala através da postura. Pessoas que se posicionam com poder demonstram maior confiança, paixão, entusiasmo, são mais cativantes, confortáveis, autênticas. Nossa postura muda nossa mente, nossa mente muda o nosso comportamento e nosso comportamento muda o nosso modo de ver o mundo e isso pode mudar o nosso destino. Se você não é poderoso nesse momento, então finja até conseguir, finja até se tornar, até porque, ajustes mínimos podem levar a grandes mudanças.

A comunicação não verbal é responsável por 93% de nossas interações, onde 38% corresponde ao nosso tom de voz, e 55% identificado na nossa expressão corporal. Então, mesmo que você se utilize de palavras positivas num diálogo, que não passam de 7%, se a sua autoimagem for negativa, você poderá transmitir através da sua linguagem corporal uma mensagem totalmente diferente daquela que você está verbalizando. Isso é interessante discutir, pois se você diz o que você diz a si mesmo, por exemplo, na frente do espelho, num tom de voz desanimado, onde representa uma vibração muito baixa, e a sua expressão facial não está feliz, também vibrando numa frequência inferior ao que deveria estar, a sua autoimagem pode ser de 93% de negatividade. Você sabe porque muitas pessoas não conseguem emagrecer? Imagine que a sua autoimagem diga para você que você está acima do peso, e você chega a um ponto que tem grandes dificuldades de lidar com essa situação e resolve fazer dieta. De imediato a sua ação é positiva. Pode ser até que em alguns momentos você passe fome por agir assim. Você sabe que o açúcar é inimigo do emagrecimento, e aí você deixa de comer coisas que vão te fazer engordar, não é assim? Porém, há um processo existente que você precisa entender. O que faz você engordar não é somente o alimento que você come, mas sim, a imagem que você tem de você mesmo. Você precisa ignorar tudo o que não é benéfico para que a sua autoimagem seja positiva. Quando a pessoa que está com sobrepeso começa a fazer uma dieta sem modificar ou alterar a sua autoimagem, qualquer perda de peso será temporária. É por esse motivo que pessoas que, mesmo querendo, não conseguem permanecer no peso que gostariam ou chegar no peso que idealizam, pelo simples fato de terem sido programadas mentalmente para encontrar o que perderam. A sua autoimagem medirá o quanto o seu objetivo se desfocou do seu desejo, e por conseguinte, corrigirá imediatamente o curso para recuperar o que foi perdido, e o que foi perdido será encontrado. Para modificar a sua autoimagem você precisa mudar as suas crenças, o seus modelos de pensamento.

As percepções de atratividade, saúde, aceitação e funcionalidade corporal iniciam na primeira infância e continuam a se desenvolver à medida que crescemos, e começarão a se configurar a partir daquilo que vimos, ouvimos ou experimentamos sobre nós, seja com nossos familiares, professores, treinadores, amigos, e dependendo do que é visto, dito ou sentido, podemos acentuar a nossa autocrítica e iniciar a construção de uma ideia equivocada de perfeição, e que pode influenciar no desenvolvimento de uma autoimagem negativa.

Uma criança, que no âmbito escolar, expressa na sua autoimagem, que o estudo não é o seu forte, que é difícil entender a matéria, que a leitura é cansativa e estressante, que tudo é muito confuso, ao receber o boletim tudo estará concretizado de acordo com o que ela acredita. Os pais a colocam de castigo e dizem que, se ela não melhorar não ganhará isso ou aquilo. Um tempo depois o boletim chega com notas um pouco mais altas. A criança é levada ao reforço escolar, e as notas melhoram mais ainda. Então, agora tudo está bem, não é? Não, não está. A melhora será temporária. Os pais não conhecem o que realmente está acontecendo. Essa criança será, talvez, privada de realizar atividades recreativas, que por sua vez melhorariam a sua habilidade em imaginar formas diferentes de conhecimento, o que facilitaria também na melhora da sua autoimagem. Sem o favorecimento dessa proposta não há como avançar voando, somente pelo arrasto. Os pais, os terapeutas, os professores, às vezes desconhecem outras formas, outras maneiras, o que dirá a criança, pois suas crenças, seus paradigmas as bloqueiam para novos aprendizados. Mas não é culpa delas, elas aprenderam que precisam ser sérias na escola, mas não aprenderam que a vida é muito importante para ser levada a sério. A maioria das pessoas vive da maneira que elas pensam que outras pessoas pensam que elas deveriam viver.

“Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos. (Oscar Wilde)

Obrigado, Pai querido, pela tua graça, pelo teu amor, pela tua força! Dá-nos que possamos enxergar sempre em Ti a imagem que precisamos ter de nós mesmos. 

O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor te mostre a sua face e conceda-te a sua graça! O Senhor volva o seu rosto para ti, e te dê a paz!

https://www.youtube.com/watch?v=qJin6cLd5FU&t=326s

 

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